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Salada de abóbora crua

Dos alimentos cotidianos que mais sinto saudade morando na Europa, sem dúvida o mamão e a cabotiá lideram a lista (seguidos de maxixe, couve e água de coco natural). No Brasil, onde em se plantando tudo dá, sobretudo no Nordeste, esses dois ingredientes sempre estiveram presentes à minha mesa, não raras vezes vindos direto do quintal. Aqui na França é raríssimo encontrar mamão importado e só na variedade papaia « sem formosura » – o mamão formosa grandão só em meus sonhos mais tropicais. Quanto à cabotiá (também chamada de abóbora-japonesa), ainda não tive esse prazer, o que me obriga a camuflar umas sementes na bagagem da próxima vez que eu for à terrinha.

Variedades de abóbora no mercado em Grenoble, França (outubro 2021).

A boa notícia é que a temporada de abóboras está aberta no hemisfério norte e quem não tem cabotiá pode « caçar » com toda outra sorte de cucurbitácea! Entre outubro e fevereiro as berinjelas, abobrinhas e tomates cedem espaço nos tabuleiros das feiras a variedades locais de citrouilles, courges e potirons. No fim de semana me deparei com essa fartura de cores e formatos e trouxe pra casa uma butternut/doubeurre para adaptar uma receita do site Panelinha de Rita Lobo. Lá ela usa uma abóbora de pescoço, rechonchuda embaixo e afunilada em cima, e a variedade francesa copia esse desenho. O pescoço da abóbora, carnudo e desprovido de sementes, é perfeito para obter as fatias finas e uniformes que dão toda a elegância a esse acompanhamento.

A versão de Rita vai com carne-seca na manteiga de garrafa, com peixe assado ou com espetinho de queijo coalho (sortuda!). A minha foi acompanhando um mignon de porco besuntado de mostarda e decorando uma sopinha de abóbora com maçã. A essência da receita se mantém e inclusive a brasilidade foi garantida graças aos mercadinhos asiáticos e africanos que têm insumos comuns à nossa mesa. Outros ingredientes foram substituídos por equivalentes mais facilmente encontráveis na minha região atual (França metropolitana, departamento Isère), possibilitando aos leitores francófonos reproduzir a receita.

Ingredientes a postos: Partiu, receita!

Salada crua de abóbora

  • 300 g de abóbora butternut (ou de abóbora de pescoço) em rodelas de 3 cm de espessura
  • 1 chalota (ou 1/2 cebola roxa)
  • 1 pimenta malagueta pequena (ou dedo-de-moça, mais suave)
  • suco e raspas de 1/2 limão siciliano
  • 5 ramos de coentro
  • 3 colheres (sopa) de azeite de oliva
  • 1 colher (sopa) de vinagre de vinho tinto
  • 1 colher (chá) de açúcar demerara
  • sal a gosto
A abóbora francesa de gosto levemente amendoado (butternut), usualmente servida em sopas e gratinados, se enche de frescor nessa versão cheia de brasilidade.

Corte o « pescoço » da abóbora em 2 rodelas de aproximadamente 3 centímetros de espessura. Descasque-as e corte-as ao meio, obtendo meias-luas. Usando um ralador mandoline ou um descascador de legumes faça fitas longas da abóbora laminando a superfície cortada das meias-luas. Corte as chalotas em rodelas finas, seguindo seu formato natural. Caso use cebola roxa, corte em tiras e deixe-as de molho em água gelada por dez minutos para eliminar o ardor. Essa etapa não é necessária com as chalotas que já são mais suaves. Pique finamente o « mói » de coentro. Corte a malagueta no sentido do comprimento e elimine as sementes antes de picar a pimenta em cubos muito pequenos (corte tipo brunoise).

De cores vibrantes, essa salada é de comer com os olhos!

Em uma tigela misture a pimenta e o coentro picados, o azeite, o suco e as raspas de limão, o vinagre e sal a gosto. Acrescente as fitas de abóbora e as envolva delicadamente no tempero. Reserve em geladeira por ao menos 30 minutos para apurar o gosto.

Essa salada é perfeita para acompanhar um mignon de porco em crosta de mostarda e mel e seus quiabos grelhados.

2 réflexions au sujet de « Salada de abóbora crua »

    1. Coucou Samar, moi aussi j’adore les couleurs vivantes et l’automne nous donne tout pour les mettre en relief, n’est-ce pas ? Félicitations pour ta nomination, je vais m’organiser pour essayer de participer à ton édition, la marraine. Gros bisous

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